Tempos Interessantes


É possível reorganizar a vida depois de 26 anos, 5 meses e 10 dias depois dela ter começado?



Escrito por Moisés às 00h05
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Retorno

Quanto tempo, hein, companheiros? Em breve, retomarei as atividades neste blog.

Abraços.

Escrito por Moisés às 18h25
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Novo Endereço

Tempos Interessantes, em nova versão, encontra-se no seguinte endereço:

www.tempos3.blogspot.com

Escrito por Moisés às 15h22
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Em breve, Tempos Interessantes estará de novo endereço.

Aguardem.

Escrito por Moisés às 01h35
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Comunicado

Apenas para dizer que a apresentação do texto de Ernesto Laclau foi elogiada, pelos colegas de turma e pelo professor da disciplina.


Escrito por Moisés às 13h18
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Passa da meia-noite, e eu deveria estar estudando ou dormindo. Tenho, dentro de algumas horas, a apresentação de um texto de Ernesto Laclau, sobre política e os limites da modernidade. Deveria estar domindo ou estudando, mas não estou. Li o texto, sublinhei e fichei as partes importantes. Entretanto, minha cabeça está além da pós-modernidade e da identificação de suas fronteiras com os valores modernos. A erosão destes, na verdade. Deveria estar dormindo. Não tenho sono e tampouco vontade de estudar. Deveria estar honrando minha bolsa CNPq. O pensamento voa longe. Que será isso? Tristeza? Sei lá. Aliás, talvez saiba.

Deveria estar estudando, mas não estou.

Escrito por Moisés às 23h21
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Tenham todos um feliz ano novo, que o meu começou dia 28 de fevereiro.

Obrigado pela torcida.



Escrito por Moisés às 02h03
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O menino

 

 

Semana passada, eu estava passeando por um dos pontos turísticos daqui e lugar de encontro da galera nos finais de semana. Creio que passava das 23h. A caminho de um bar, passei por um menino que estava sentado no meio-fio, vendendo umas bugigangas inúteis, daquelas que não se compram. Não era ninguém. Era apenas um menino, entre 9 a 11 anos, sentado, sozinho e mal-vestido. Vocês conseguem ver isto? Uma criança pobre, vendendo coisas no meio da noite, sozinha. Eu vi. E por que uma criança, pobre e sozinha, estava na rua, àquela hora, tentando vender coisas invendáveis? Então, lembrei de todos os infantes que estavam em suas casas, dormindo na segurança de seus lares, sem precisar perambular noite adentro, para ofertar coisas a desconhecidos passantes. Lembrei-me de que aquele menino, sentado e sozinho, era apenas um entre milhões e milhões, no Brasil e no mundo. Multidões de crianças noctívagas, vagando por aí e oferecendo coisas pelo preço de suas infelizes infâncias. Que doloroso!

Cheguei ao bar, encontrei os amigos, fumei um cigarro, bebi uns refrigerantes e esqueci, temporariamente, o menino, pobre e sentado, vendendo coisas. Mas, semana que vem, ele estará lá, sentado e vendendo, figurando no cenário miserável de sua existência, enquanto passam as pessoas, o tempo, o futuro, a vida.



Escrito por Moisés às 03h31
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“No dia seguinte ninguém morreu”. Com essa frase, José Saramago inicia “As Intermitências da Morte”, lançando, em nossa cara, a terrível situação pela qual passará um país, durante 07 meses.

            A aurora do dia primeiro de janeiro não pariu nem um cadáver, um único sequer, para preencher a boca escancarada e faminta de uma cova solitária. O que poderia parecer uma bênção sem medida, uma dádiva do Criador, tornar-se-á o suplício das instituições de cujo bom funcionamento depende a normalidade do trabalho da ceifeira: a Igreja, as funerárias, os hospitais, os asilos, o Estado e a família.

            Cansada de ser mal compreendida, a morte decidiu suspender as atividades naquele país, mas, para alívio das pessoas, que estavam vivendo sob o dito “vivo, não nego, morro, quando puder”, a parca resolve voltar às atividades, salvando o Governo da bancarrota; os hospitais e os asilos, da superlotação; a Igreja, do descrédito e poupando os parentes de limpar os excrementos dos familiares que teimam em não morrer, permanecendo em constante estado vegetativo.

            Bondosa que é, apesar de nós, ingratos, dizermos o contrário, a morte decide avisar previamente os futuros defuntos, enviando um sobrescrito violeta, com a data do falecimento, solicitando que se resolvam todas as pendências existentes: impostos a pagar, dívidas e insultos a perdoar, reformas a fazer, entre outras, antes do fatídico vencimento do prazo.

Depois de meter-se com os humanos, a vida da morte, por mais irônico que isso soe, nunca mais será a mesma. O final do livro é empolgante, faz palpitar o coração, pois desejamos profundamente que, apesar da necessidade do fluxo natural das coisas, o desenlace da narrativa não seja de morte. Sem trocadilhos e ironias, é claro.

 



Escrito por Moisés às 11h12
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Graças a Deus que conheci Vargas Llosa. O Paraíso na Outra Esquina é o segundo livro dele que leio, e me proporcionou boas horas de distração e enriquecimento cultural. A obra conta a história do pintor Paul Gauguin e de sua avó Flora Tristán. Ambos os protagonistas buscavam, à sua maneira, um mundo que, como o título do livro mostra, estava sempre na outra esquina. O início de cada capítulo faz implicitamente a pergunta “É aqui o Paraíso?”, e o desenrolar nos mostra que “O Paraíso é na outra esquina”, abrindo espaço para a próxima [des]ventura.

Solitários em suas peregrinações, avó e neto, em tempos distintos (década de 1840 e final do século XIX, respectivamente), lançam-se, de corpo e alma, na busca pelos ideais de suas vidas: ela, um mundo melhor para mulheres e trabalhadores; ele, uma arte pura, livre das corrupções da civilização européia. Lutaram aguerridamente, para conseguir alcançar um Éden que, a cada passo, mostrava-se um pouco mais além do que se pensava estar.

Para Flora, trazer a igualdade entre os gêneros era uma realização pessoal, pois sua condição de mulher marcou-lhe na pele os traços dos preconceitos, e a bala no peito, alojada ali pelo revólver do marido asqueroso e opressor, próxima ao coração, representa o enraizamento de uma cultura excludente e excessivamente moralista. Gauguin, cuja missão tendemos a perceber egoísta, busca redimir a arte, corrompida pelos prejuízos que a cultura ocidental trouxe, pois, na sua concepção, o ofício do artista só seria livre quando expressasse a selvageria primitiva do homens, a qual significa a liberdade, de espírito e física, perdida graças à colonização cristã.

O Paraíso na Outra Esquina é a realização pessoal. É o céu que parte de nós para o mundo. É também, como diz Voltaire em Candido ou O Otimismo, o nosso próprio jardim, que cultivamos individualmente, mas que no conjunto embeleza a vida.

 

"É aqui o paraíso?

Não, senhor. O paraíso é na outra esquina."

 

O paraíso está sempre em outro livro.

Escrito por Moisés às 10h41
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A Bolsa do Rico

Valor: Aproximadamente R$ 1.750

Comporta: 1 celular, 1 batom, 1 porta-níquel e, talvez, 1 absorvente estilo tampax

A Bolsa do Pobre

Valor: entre R$ 15,00 e R$ 95,00

Comporta: Aproximadamente 3 crianças, 1 pai, uma mãe e, provavelmente, algum agregado doente e desempregado.



Escrito por Moisés às 12h52
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nalgum lugar em que eu nunca estive,alegremente além
de qualquer experiência,teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto

teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos,nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente,misteriosamente)a sua primeira rosa

ou se quiseres me ver fechado,eu e
minha vida nos fecharemos belamente,de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;

nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade:cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira

(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre;só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
[...]

e. e. cummings

Poema muito lindinho, com o último verso suprimido. Conservem-no assim.



Escrito por Moisés às 04h45
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Ele é a cara da gente

Eis aí nosso bem-amado ex-ministro, ex-prefeito, ex-secretário de Infraestrutura do Estado, quase-ex-presidiário e atual candidato ao Senado, Cícero Lucena. O Sr. Ciço, paraibano forte e engajado nas políticas e parentelas do estado, responde, na Polícia Federal, por crime de desvio de dinheiro público. Tudo muito comum, tratando-se das gestões públicas brasileiras e, principalmente, paraibanas.

Quando o Sr. Ciço, que é a cara da gente segundo seu jingle de campanha, foi preso, confesso que não fiquei espantado, pois sabia que logo ele seria solto, e tudo ficaria por isso mesmo, além, é claro, de ser algo absolutamente usual um político da direita desviar, aqui e acolá, alguns milhões de nossa miserável nação. A acusação, segundo o Ministério Público, é do roubo de, aproximadamente, 13 milhões de reais, camuflados sob as obras de saneamento do bairro do Bessa e do calçamento de nossa orla marítima. O volume de dinheiro é tão grande que possivelmente as obras realizadas poderiam escoar toda a água do Mar Vermelho, para o povo de Deus atravessar novamente, e calçar não apenas toda a costa brasileira como o litoral russo também.

Qual não foi minha surpresa ao ver na capa da revista Isto É que a acusação, na verdade, era do furto de cem milhões de reais! Sinceramente, este homem não deveria ser preso, mas canonizado! O que ele fez não foi crime, foi milagre. Uma pessoa que se apropria criminosamente de cem milhões de reais de um dos estados mais pobres da Federação merece, no mínimo, um reconhecimento público e um feriado, por fazer brotar, sabe-se lá o diabo de onde, esse volume impressionante de dinheiro. O pior não é isso. O pior é ter que ouvir uma musiquinha muito feia que diz que ele, o Sr. Ciço, é a cara da gente. Nunca me achei um padrão de beleza, é verdade, mas daí a olhar no espelho e enxergar o Excelentíssimo ex-prefeito é o cúmulo da maldição que nem a madrasta da Branca de Neve mereceria. Fico aqui a imaginar a cena: "Espelho, espelho meu! Existe Alguém mais corrupto que eu?", "Certamente que não", responderia o espelho, e ele, o canalha, todo satisfeito e faceiro com o resultado nas pesquisas, ficaria feliz por ser a cara dos trouxas desmemoriados desta cidade.



Escrito por Moisés às 00h03
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Tempos Modernos nada Interessantes

O capitalismo chegou em tal ponto de desenvolvimento, que o capital é especulativo e o intelectual está sendo proletarizado. Nem Marx, em seus mais sombrios sonhos com este modo de acumulação, poderia prever um acontecimento dessa magnitude. E a revolução proletária? Sonho. Trabalhador, atualmente, defende patrão e baixa a cabeça aos seus mandos e desmandos. Prova maior disso é a eleição de candidatos dos partidos de direita, aquela corja do PFL, PSDB, PMDB, PP, PTB, PDT, PV e outros lixos. Aqui em João Pessoa, por exemplo, temos um vereador chamado Fernando do Grotão (Grotão é um bairro que beira a miséria aqui em nossa cidade), um semi-analfabeto desdentado, eleito pelo PFL. Trata-se de um cooptado, para cooptar o rebanho de iletrados e alienados que forma nossa nação.

Eu, sinceramente, só acredito na extrema esquerda do Brasil, porque radical mesmo é a fome.



Escrito por Moisés às 09h04
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O Jogador

                                                          

 

Terminei ontem a leitura de O Jogador, de Dostoievski. A tradução, que é da L&PM, deixa um pouco a desejar, mas não prejudica a apreciação da obra. O livro, no início, é um tanto enfadonho, pois o grupo de personagens (a comitiva do general, composta por Prascovia, moça russa que recebeu educação francesa; Des Grieux, um agiota francês; Blanche de Cominge, uma francesa dilapidadora das fortunas alheias; o próprio general, um homem arruinado e Aléxis, preceptor dos filhos daquele e protagonista do livro) é um bando de dissimulados e interesseiros tão bem retratado pelo autor, que a chegada da avó, uma velha de gênio terrível e soberba, descarrega, de uma única vez, todo o clima de fingimento que permeia livro. A partir de então, as máscaras caem. Indo fundo nas misérias do homem em tão poucas páginas, Dostoievski desnuda a crueza de uma série de vícios: paixões violentas, interesses financeiros, jogatinas desenfreadas e esperança de vidas ociosas.



Escrito por Moisés às 11h28
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